12 de jun. de 2026
Tratamentos
Como funciona a terapia por ondas de choque?
Um recurso não invasivo que usa ondas acústicas para estimular a recuperação de tendões e outras estruturas musculoesqueléticas.
Introdução
A terapia por ondas de choque extracorpóreas (em inglês, ESWT) surgiu na década de 1980 a partir de uma tecnologia usada para fragmentar cálculos renais. Com o tempo, percebeu-se que ondas acústicas de menor energia, aplicadas sobre tendões e ossos, não destroem tecido. Pelo contrário, estimulam respostas biológicas que favorecem a reparação.
Hoje, a terapia por ondas de choque, é uma ferramenta consolidada no tratamento de algumas dores musculoesqueléticas crônicas, especialmente quando o tratamento conservador inicial não traz a resposta esperada.
Como ela age?
O efeito principal não é mecânico, e sim biológico, por um fenômeno chamado mecanotransdução: a energia da onda é convertida em sinais bioquímicos dentro das células. A partir daí, três mecanismos costumam ser descritos na literatura:
Estímulo à vascularização (neovascularização): formação de novos microvasos na região tratada, melhorando o aporte sanguíneo a um tecido cronicamente pouco irrigado, como tendões degenerados.
Efeito analgésico: as ondas atuam sobre fibras nervosas, contribuindo para a redução da dor.
Estímulo à regeneração tecidual: proliferação celular, produção de colágeno e modulação do processo inflamatório, favorecendo a reorganização do tecido.
Existem dois tipos de aplicação: as ondas radiais, de efeito mais superficial, e as focadas, que concentram a energia em um ponto mais profundo. A escolha depende da estrutura tratada e da profundidade do alvo.
Para quais condições é estudada?
A literatura reúne evidências de uso em diversas tendinopatias e enteseopatias, entre elas a fascite plantar, a tendinite calcária do ombro, a epicondilite lateral (o chamado "cotovelo de tenista"), a tendinopatia patelar e a do tendão de Aquiles, e a síndrome dolorosa do trocânter maior. Há ainda investigações em osteoartrite de joelho e em consolidação óssea retardada.
Um ponto importante: a terapia por ondas de choque costuma ser indicada em associação à reabilitação. As evidências mais consistentes aparecem quando ela é combinada a exercícios: treinamento excêntrico, alongamento ou exercícios de resistência e não isoladamente.
Conclusão
A terapia por ondas de choque é um recurso não invasivo, com bom perfil de segurança e poucos efeitos adversos relatados, com mecanismos de ação bem descritos na literatura. Ainda assim, não é um tratamento aplicável a qualquer dor: a indicação depende do diagnóstico preciso, do tipo de lesão, do tempo de evolução e do quadro individual de cada pessoa. O caminho correto é a avaliação com o ortopedista, que define se o método é apropriado para o seu caso e como combiná-lo ao restante do tratamento.
Referências: revisões sobre mecanismos biológicos e evidência clínica da ESWT em condições musculoesqueléticas (J Clin Orthop Trauma, 2020; revisão narrativa em dor musculoesquelética, 2023; revisão sobre ESWT combinada a exercício, 2021).
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